Li recentemente no Google Research Blog uma entrada sobre pensamento computacional como a capacidade de olhar para a realidade de uma forma objectiva, compreender a capacidade da mente humana para criar ideias, dispositivos, construções e algoritmos complexos, passar de meros utilizadores para criadores de ferramentas, informáticas ou não.
Começando pelos conceitos chave do pensamento computacional
os autores mostram como estes conceitos ajudam a cada um adquirir competências essenciais à vida de hoje que, com a prática desde a idade escolar, se podem tornar "hábitos" de análise que abrem novas perspectivas de interacção com a realidade e com a inovação e a criatividade.
Essa disposição para olhar para a realidade como ela efectivamente é, simples e complexa, perfeita e imperfeita, previsível e imprevisível, vai ser cada vez mais indispensável.
Esta figura resume as ideias chave do artigo
Sermos capazes de lidar com a complexidade, de aceitar a ambiguidade, de ser persistentes perante os problemas mais difíceis, de entender que há problemas abertos, de trabalhar com os outros, de conhecer as forças e fraquezas próprias, são hoje atitudes essenciais.
Passa por aqui o nosso futuro, e desde a idade escolar.
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quinta-feira, 15 de setembro de 2016
domingo, 19 de abril de 2015
O problema do teste de Singapura
De repente, não se fala de outra coisa...
Num exame para miúdos de 14 anos, em Singapura, saiu o seguinte problema:
Albert e Bernard ficaram amigos de Cheryl, e querem saber a data do seu aniversário. A Cheryl faz uma lista de 10 datas possíveis
Maio: 15, 16, 19
Junho: 17, 18
Julho: 14, 16
Agosto: 14, 15, 17
e diz, separadamente, a Albert o mês do seu aniversário e a Bernard o dia.
Albert diz: não sei qual é o dia, mas sei que o Bernard também não sabe.
Bernard diz: inicialmente, não sabia, mas agora já sei.
Albert conclui: então também sei!
Qual é a data de aniversário de Cheryl?
(solução segue dentro de momentos...)
Vamos então a isso!
Albert diz: não sei qual é o dia, mas sei que o Bernard também não sabe.
Albert sabe o mês. Se o mês fosse Maio ou Junho, não podia ser peremptório relativamente ao facto de Bernard também não saber, pois em Maio há o dia 19 e em Junho o dia 18, que só ocorrem nesses meses. Então o mês é Julho ou Agosto.
Bernard diz: inicialmente, não sabia, mas agora já sei.
Bernard sabe o dia. Se fosse 14, não podia saber a data, pois podia ser em Julho ou Agosto. Assim, é 16 de Julho ou 15 ou 17 de Agosto.
Albert conclui: então também sei!
Albert sabe o mês! Então o dia é 16 de Julho, pois se fosse um dia de Agosto ainda restariam duas possibilidades para a data!
Num exame para miúdos de 14 anos, em Singapura, saiu o seguinte problema:
Maio: 15, 16, 19
Junho: 17, 18
Julho: 14, 16
Agosto: 14, 15, 17
e diz, separadamente, a Albert o mês do seu aniversário e a Bernard o dia.
Albert diz: não sei qual é o dia, mas sei que o Bernard também não sabe.
Bernard diz: inicialmente, não sabia, mas agora já sei.
Albert conclui: então também sei!
Qual é a data de aniversário de Cheryl?
(solução segue dentro de momentos...)
Vamos então a isso!
Albert diz: não sei qual é o dia, mas sei que o Bernard também não sabe.
Albert sabe o mês. Se o mês fosse Maio ou Junho, não podia ser peremptório relativamente ao facto de Bernard também não saber, pois em Maio há o dia 19 e em Junho o dia 18, que só ocorrem nesses meses. Então o mês é Julho ou Agosto.
Bernard diz: inicialmente, não sabia, mas agora já sei.
Bernard sabe o dia. Se fosse 14, não podia saber a data, pois podia ser em Julho ou Agosto. Assim, é 16 de Julho ou 15 ou 17 de Agosto.
Albert conclui: então também sei!
Albert sabe o mês! Então o dia é 16 de Julho, pois se fosse um dia de Agosto ainda restariam duas possibilidades para a data!
quarta-feira, 11 de junho de 2014
CodeWeek
De 11 a 17 de Outubro de 2014 decorre em toda a Europa a CodeWeek, um conjunto de eventos onde novos e velhos, aprendizes e mestres, vão experimentar formas de ensinar e aprender a usar computadores no seu dia a dia.
No âmbito desta iniciativa, estamos a organizar na Católica Braga um evento a que chamamos "Programar sem computadores", em que vamos brincar à programação com os mais novos, através de um conjunto de acividades divertidas em que todos poderão desempenhar os papéis de programador ou de computador, isto é, daquele que escreve os programas ou daquele que os executa.
O nosso espaço, o nosso dispositivo de entrada saída, o nosso écrã, será todo o campus da FaCiS,
onde os participantes se movimentarão na execução ou na criação de "programas" que proponham movimentos ou interacções com outros objectos existentes.
Estamos na fase de preparação do projecto, e aceitamos todas as sugestões que nos queiram fazer no sentido de valorizar o evento.
Falem-nos!
No âmbito desta iniciativa, estamos a organizar na Católica Braga um evento a que chamamos "Programar sem computadores", em que vamos brincar à programação com os mais novos, através de um conjunto de acividades divertidas em que todos poderão desempenhar os papéis de programador ou de computador, isto é, daquele que escreve os programas ou daquele que os executa.
O nosso espaço, o nosso dispositivo de entrada saída, o nosso écrã, será todo o campus da FaCiS,
onde os participantes se movimentarão na execução ou na criação de "programas" que proponham movimentos ou interacções com outros objectos existentes.
Estamos na fase de preparação do projecto, e aceitamos todas as sugestões que nos queiram fazer no sentido de valorizar o evento.
Falem-nos!
quinta-feira, 27 de março de 2014
Google Exploring Computational Thinking
Pensamento computacional é uma competência essencial para os nossos jovens, mas muito poucos professores estarão preparados para fazer despertar nas suas mentes esta maneira de olhar para a realidade, de detectar as abstracções, os automatismos, os algoritmos, os padrões que nela se escondem.
Nós, os professores, que aprendemos uma certa Informática, temos normalmente dificuldade em dar o primeiro passo no sentido da descoberta destes jogos escondidos, destes segredos, destas pequenas coisas que começamos a verificar que interessam as mentes curiosas da gente mais nova, habituada a viver e sobreviver neste mundo complexo que estamos a criar, em que o pensamento, o pensamento crítico, a compreensão dos mecanismos com que nos defrontamos no dia a dia, fazem a diferença.
No entanto, todos os dias lidamos com situações que permitem levar à descoberta de formas simples de pensar, de formas estruturadas de organizar o pensamento.
Seja escolher a melhor maneira de arrumar as peças Lego em caixas de forma a simplificar a procura duma determinada peça, seja escolher o melhor percurso para recolher um pequeno número de produtos nas prateleiras de um supermercado, seja encontrar estratégias para fazer a gestão das filas das caixas, o dia a dia é a melhor fonte para descobrir o pensamento computacional.
A Google, sempre a Google, disponibiliza uma série de ideias, projectos e recursos num sítio a que chamou Exploring Computational Thinking, e que recomendo vivamente.
Nós, os professores, que aprendemos uma certa Informática, temos normalmente dificuldade em dar o primeiro passo no sentido da descoberta destes jogos escondidos, destes segredos, destas pequenas coisas que começamos a verificar que interessam as mentes curiosas da gente mais nova, habituada a viver e sobreviver neste mundo complexo que estamos a criar, em que o pensamento, o pensamento crítico, a compreensão dos mecanismos com que nos defrontamos no dia a dia, fazem a diferença.
No entanto, todos os dias lidamos com situações que permitem levar à descoberta de formas simples de pensar, de formas estruturadas de organizar o pensamento.
Seja escolher a melhor maneira de arrumar as peças Lego em caixas de forma a simplificar a procura duma determinada peça, seja escolher o melhor percurso para recolher um pequeno número de produtos nas prateleiras de um supermercado, seja encontrar estratégias para fazer a gestão das filas das caixas, o dia a dia é a melhor fonte para descobrir o pensamento computacional.
A Google, sempre a Google, disponibiliza uma série de ideias, projectos e recursos num sítio a que chamou Exploring Computational Thinking, e que recomendo vivamente.
domingo, 23 de março de 2014
Três livros
O centro do ensino é a sala de aula, onde se encontram o professor e os alunos, e o objectivo é sempre e apenas um: despertar nos alunos a vontade de aprender. Só assim, cada um se tornará um ser autónomo e independente, capaz de pensamento crítico, e apto a encontrar o seu lugar na sociedade em que se insere.
Entre outros, há três livros, de autores portugueses, cuja leitura é obrigatória para qualquer professor:
- Bárbara Wong, A Minha Sala De Aula É Uma Trincheira, Esfera dos Livros
- David Justino, Difícil É Educá-los, Fundação Francisco Manuel dos Santos
- Maria Filomena Mónica, A Sala de Aula, Fundação Francisco Manuel dos Santos
Três grandes livros, sem panos quentes, e que reconhecem o esforço dos professores em lutar contra um sistema asfixiante e burocrata que vai destruindo calmamente o nosso sistema de ensino.
Entre outros, há três livros, de autores portugueses, cuja leitura é obrigatória para qualquer professor:
- Bárbara Wong, A Minha Sala De Aula É Uma Trincheira, Esfera dos Livros
- David Justino, Difícil É Educá-los, Fundação Francisco Manuel dos Santos
- Maria Filomena Mónica, A Sala de Aula, Fundação Francisco Manuel dos Santos
Três grandes livros, sem panos quentes, e que reconhecem o esforço dos professores em lutar contra um sistema asfixiante e burocrata que vai destruindo calmamente o nosso sistema de ensino.
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